Atividade 2: Meu objeto na discussão de "Flusser - Animação Cultural" (07/12/20)
"Pois tal transcendência é de fato alcançável, se nos conscientizarmos do que somos essencialmente: não resultados de produção humana, mas animação programadora do comportamento humano. Desencobrir esta essência do ser-objeto é o propósito de toda objetologia.
No fundo, a nossa Revolução não passa de inversão da relação "homem-objeto". Em vez de funcionarmos em função da humanidade, esta passa a comportar-se em função do nosso próprio funcionamento. Passamos nós a ser os animadores da humanidade."
Sinto te interromper, cara amiga Mesa-redonda, porém, como cavalo e um objeto, não concordo com todas as suas afirmações. Concordo plenamente que não somos apenas fruto de uma produção humana, como também programamos o comportamento humano. Entretanto, discordo veemente de que em algum momento seria possível nós objetos deixarmos de funcionar em função da humanidade, assim como não seria possível que a humanidade viva sem que nós os animemos. A humanidade sempre se comportou em função do nosso funcionamento, de forma que nos manteve presentes até o atual momento. É por essa razão que hoje podemos debater nossos direitos como objetos.
Nossa relação com os humanos é de beneficio mutuo, uma vez que nós programamos os comportamentos deles apenas porque eles nos deram uma alma, apenas porque eles passam para nós sentimentos e responsabilidades. É tudo uma troca, um ciclo. Se não exercemos nossa função, não controlamos o homem ou nem sequer existimos. Se o ser humano não depositar em nós valor funcional, ou como o meu humilde caso, valor emocional, não controlamos o homem. Nossa existência depende de funcionarmos para eles de alguma forma, assim como a existência deles depende de nós os controlarmos. Eu mesmo sou um exemplo do que vos falo, sem mim o humano não teria quase nada que o lembrasse constantemente das origens, não teria quase nada que transmitisse sentimentos positivos simplesmente por estar presente no canto do quarto, algo extremamente necessário. E por isso, eu o animo e ele vive melhor graças a minha função. Contudo, se meu humano não passasse para mim essa função, eu já não estaria aqui em sua agradável companhia. Quem sabe, talvez, estaria agora me decompondo sem funcionalidade e sem programar o comportamento de alguém.
Diante disso, acredito eu, como objeto equino que consegue fazer meu humano sentir e recordar diversas coisas, que a relação "homem-objeto" deve ser sempre de igualdade. Ambos, juntos, nos animamos.

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