Apolíneo e Dionisíaco - Estética por Nietzsche

    Na aula do dia 07/01, fomos apresentados ao conceito de estética e criatividade desenvolvido por Nietzsche. Em seu livro "O Nascimento da Tragédia", o filósofo descreve a arte como o papel central na cultura humana. Ao analisar a civilização grega, separou a criatividade e a beleza em duas forças opostas: Apolínea e Dionisíaca. 

     Apolíneo, relacionado a Apolo (deus do Sol e da beleza), engloba os princípios da razão, controle, clareza, simetria e harmonia. Já o Dionisíaco, de Dionísio (deus do vinho e da festa), relaciona-se com a emoção, descontrole, caos, falta de medida. Contudo, mesmo opostos, na criação artística essas duas forças são complementares e de extrema importância, sendo percebidos em diversas áreas, como teatro, design, música e arquitetura. Além disso, segundo Nietzsche, nenhuma arte poderia ser completamente apolínea, nem puramente dionisíaca. Possuindo sempre algo de ambas forças.

      Diante disso, deveríamos escolher referências, apolíneas e dionisíacas, presentes no nosso cotidiano e explicá-las.

Dionisíaco

      Para uma referência majoritariamente Dionisíaca, o jazz apresenta-se como um grande exemplo na área musical. No filme "La La Land", o personagem Sebastian se refere a esse estilo musical como um conflito, como algo explosivo, novo a cada segundo, diferente a cada momento, extremamente excitante. Uma constante batalha, com cada músico em sua própria viagem. Ao mesmo tempo e no mesmo palco, todos os envolvidos compõem diferentes músicas, unem diferentes ideias. Por isso, para mim, evidencia-se como um exemplo de arte dionisíaca. Entretanto, mesmo no meio da emoção, nota-se o uso da razão e controle. Os músicos se acostumam, seguem e lidam com as mudanças de forma organizada, de modo que evidencia o apolíneo complementando o dionisíaco. Segue exemplo de uma música em que isso se evidencia.



Apolíneo




      A história da série alemã "Dark", da Netflix, apresenta surpreendentemente características apolíneas em sua narrativa. No começo, aparentava ser dionisíaca devido aos muitos personagens, muitas reviravoltas, diferentes linhas de tempo, além de acontecimentos sem sentido e aparentemente sem nenhuma ligação. Porém, no final, fica evidente como foi planejada com extremo cuidado de forma organizada e racional. Nota-se um controle total sobre o enredo, de modo que a série parece um quebra cabeça pensado para que todas as peças se unissem no momento certo e no local ideal. O que antes aparentava ser descontrolado e confuso, comprovou-se cheio de clareza e organização. Tudo se completa e esta conectado, de forma que é perceptível o cuidado com os mínimos detalhes em sua concepção desde o princípio. Diante disso, comprova-se uma presença apolínea, no que em um primeiro contato aparentava ser dionisíaca. 
      Ademais, no pôster, além de na abertura, nota-se a valorização da simetria nos efeitos espelhados.


     

 

       

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